Sistema

Meu time de botao entrevista: Leonardo Marques Barcelos

Data: 30/4/2010
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MTB: Que time você torce? e como começou essa paixão?
Léo: Meu amor pelo futebol começou quando eu era muito novo, com certeza desde os quatro ou cinco anos, mas minha paixão clubística é um caso estranho, para dizer o mínimo. Meus amigos detonam e me chamam de Vira-Casaca, o que não deixa de ser verdade... rs
Meus pais torciam para o Santos e eu passei a torcer também. Quando eu tinha por volta de 6 ou 7 anos, meu ídolo era o ponta direita Nilton Batata, que jogava no time dos Meninos da Vila de 1978. Resolvi, então, mandar uma carta ao jogador com um teor que não me recordo e nunca obtive resposta. Desgostoso, disse que mudaria de time e meu avô, torcedor da Portuguesa, puxou a “Sardinha” pro seu lado. Acompanhei a Lusa do Canindé por vários anos mas, a fim de uma velhice mais tranqüila, aos 17 anos virei são-paulino, graças ao time do Telê Santana. E hoje, aos 37 anos, posso dizer que já estive com o São Paulo no Morumbi, ou fora dele, mais vezes que muito São-paulino de quatro costados...

MTB: Quem foi ou é o maior jogador que você viu jogar?
Léo: Certamente, o Zico. É claro que ele fez parte da minha infância, onde nosso ídolo nunca erra, mas foi um jogador fora de série. Era o antigo Meia-esquerda e consagrou muitos centroavantes com seus passes geniais e, ainda por cima, fez mais de 800 gols. É mole ou quer mais? Os maiores críticos do Galinho dizem que ele nunca ganhou uma Copa do Mundo. Parafraseando Juca Kfouri, “...azar da Copa do Mundo...”

MTB: E nos conte qual o jogo que não sai da sua memória? uma vitória...
Léo: Sem dúvida a do Tri-Mundial do Tricolor em cima do Liverpool. Costumo dizer que, depois daquele jogo, de infarto eu não morro mais. Não me lembro de um goleiro ter pego tanto como o Rogério Ceni naquela partida. Foi espetacular!!!

MTB: E também uma derrota impossível de esquecer.
Léo: A final da Copa Libertadores de 1994, quando o São Paulo perdeu nos pênaltis para o Vélez Sarsfield da Argentina. Me lembro que, quando as cobranças terminaram, dava para ouvir os gritos dos jogadores argentinos dentro do campo, tamanho o silêncio que ficou no Morumbi.

MTB: Qual a melhor equipe que você viu jogar (pode ser o seu time, seleção, um time de fora do país)
Léo: A Seleção Brasileira de 1982. Acho que todos aqueles que têm entre 37, 45 anos, que não viram o Pelé jogar, são unânimes em afirmar que aquele time foi o mais espetacular da história. Um time com o meio campo com Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico só pode ter sido o melhor...

MTB: Escale, por favor, pra nós o seu time de botão (ou seja a sua seleção imbatível de todos os tempos), aqui dá pra pegar um de cada time, de cada época, é formar a sua seleção imbatível com técnico e tudo, numeração, se vc quiser, fique a vontade
Léo: Meu time de botão é o Botafogo de Futebol e Regatas do Rio de Janeiro e jogo com a escalação que tirou o Fogão da fila após 21 anos. O time era bom, mas sem grandes craques...
Alinham com Manga, nº 1, Josimar, nº 2, Wilson Gottardo, nº 3, Mauro Galvão, nº 4 e Marquinhos, nº 6;
Carlos Alberto, nº 5, Luisinho, nº 8 e Paulinho Criciúma, nº 10;
Maurício, nº 7, Gustavo, nº 9 e Mazolinha, nº 11.
Mas a minha seleção, daqueles que vi jogar, é a seguinte:
Rogério Ceni, nº 1;
Leandro, nº 2, Baresi, nº 3, Gamarra, nº 4 e Leonardo, nº 6;
Zidane, nº 5, Falcão, nº 8 e Zico nº 10;
Müller, nº 7, Ronaldo, nº 9 e Romário, nº 11;
Técnico Telê Santana.

MTB: O que você anda lendo sobre futebol, quais livros?
Léo: Estou lendo a biografia sobre o atacante Quarentinha, o maior goleador da história do Botafogo que se chama “Quarentinha, o Artilheiro que não sorria”. Mas recomendo muito um livro que terminei recentemente chamado “Nunca houve um homem como Heleno”, que conta a vida do também artilheiro alvinegro Heleno de Freitas, que morreu num hospício aos 39 anos de idade. Vale a pena...

MTB: E qual ou quais livros contam bem a história do seu time?
Léo: O Tricolor tem bons livros sobre sua história, onde destaco “São Paulo, a Saga de um Campeão” de Ignácio de Loyola Brandão e “São Paulo, Dentre os Grandes és o Primeiro” de Conrado Giacomini.

MTB: Se você fosse o presidente do seu time, que jogador você contrataria pra resolver os problemas do time?
Léo: Em termos utópicos, sem preocupação com custos, repatriaria o Kaká ou o Luis Fabiano. Mas em termos de realidade, estou feliz com a possível contratação do Fernandão, do Goiás.

MTB: Pra você, contra quem é hoje a maior rivalidade do seu time, e porque?
Léo: Contra o Corínthians, sempre. Porque é o time com a torcida, dirigentes e imprensa mais insuportáveis do mundo.

MTB: Primeiro gostaria que você nos dissesse como começou, essa paixão pelos botões?
Léo: Como todo moleque, como brinquedo de infância. Me lembro de jogar botão com 5 anos no piso de tacos de madeira do apartamento em que morava. Os meus primeiros times foram os tradicionais “Gulliver Cristal”, do Santos e do São Paulo. Coincidentemente, estes dois times fizeram o 1º jogo da história da BFA, 12 anos depois.

MTB: Quantos times você tem e qual seu preferido?
Léo: Tenho uma coleção com quase 900 times, entre os profissionais de acrílico e os “injetados”, estilo tampa, que são a grande maioria e minha paixão. Meu preferido é o Botafogo, que é o mesmo time a 20 anos.

MTB: Gostaria que você comentasse um pouco sobre a BFA, como foi a idéia, fundação, quem faz parte? Conte-nos tudo
Léo: Eu e meus irmãos, Eduardo e Ricardo, jogávamos muito botão no início da adolescência, quando a brincadeira de criança virou paixão. Todos os dias íamos para cima do Estrelão e o “pau comia”...
Em 1985 nós conhecemos uma família de amigos que se tornaria muito próxima da nossa e, desta família, o Edson passou a jogar com a gente de forma constante.
Eu já anotava todos os jogos e gols que fazíamos desde, aproximadamente, 1984 e o Edson, fazia o mesmo também. Como nosso relacionamento foi se estreitando com o passar dos anos, resolvemos “juntar os trapinhos” e iniciar uma liga conjunta, encerrando as duas histórias paralelas.
A idéia começou a tomar forma no Carnaval de 1990, quando fizemos uma viagem de ônibus para a cidade de Leopoldina, MG. Durante boa parte das 8 horas que separam a capital paulista da pequena cidade mineira, os planos foram tomando forma e idéia foi saindo da cabeça para o papel.
O nome foi ali escolhido, numa alusão clara a FIFA, que comanda o futebol mundial. Como a idéia era de reproduzir em nossas mesas o futebol real, nós seríamos também um “Foot-ball Association” e só trocamos o “Federation International” por “Bottons”, numa livre adaptação nossa à palavra botão (em inglês botão é Button).
De volta para São Paulo, num domingo à noite, 11 de março de 1990, a Bottons Foot-ball Association (BFA) foi oficialmente fundada por mim, meus irmãos Eduardo, Ricardo e pelo Edson, com logotipo e tudo.
Na fundação ficou definido como seria realizado o primeiro campeonato da liga, a I Taça Brasil, que faria a separação dos 50 times brasileiros existentes em três divisões à partir da II Taça Brasil.

MTB: Você já disputou muitos campeonatos, quais seus títulos?
Léo: Jogando na BFA, só não disputei um torneio dos 207 realizados. Tenho 100 títulos conquistados.
Disputei 3 ou 4 torneios abertos fora da BFA, mas nunca venci.

MTB: Depois de tantos "casos e "causos", contados no site, você pensou em escrever um livro sobre essas histórias?
Léo: Realmente não pensei. Só tenho receio de não ter pra quem deixar essa história toda...
Gostaria de que ela seguisse em frente quando o Papai do Céu me chamar pra fazer uma partidinha com ele... rs
Por enquanto, tenho uma filha somente e, se ela não se interessar, quem sabe meu afilhado de 3 anos e que já freqüenta a BFA possa dar continuidade a tudo.
Mas o livro pode ser uma boa, deixaria a filosofia da BFA registrada. É engraçado como eu me lembro de detalhes de todas as temporadas nesses 20 anos...

MTB: O Sr. Armando Pordeus, nosso grande colaborador, nos fez a gentileza de formular duas perguntas:
1) Com essa diversificação de regras praticadas, podemos sonhar que, um dia, o Futebol de Mesa será um esporte olímpico? Caso positivo, Por Quê? Caso negativo, Qual a Solução?
Léo: Como já escrevi em outra oportunidade, sou meio cético quanto a longevidade do futebol de mesa, não acredito nem que ele existirá daqui a 50 anos. Tornar-se esporte olímpico, então, penso que é sem chance.
Mas essa é uma opinião particular minha que, sinceramente, espero que eu esteja errado!!!
Acontece que, na minha visão muito humilde do universo que conheço, não vejo nas pessoas envolvidas no esporte o perfil para a ampliação necessária da prática do jogo, fundamental para que possamos pleitear um espaço olímpico.
Desculpe se ofendo alguém, mas é o que penso.

2) Você não acha que para o rejuvenescimento do Futebol de Mesa, não será necessário baratear os materiais utilizados?
Léo: É uma opção, sem dúvida, ainda mais levando-se em conta a condição social do país. Ninguém vai deixar de pagar a conta de água para comprar um time de botão, né?
Mas acho que, mesmo assim, tem espaço para todos os níveis de consumo. Só penso que as federações tem por obrigação “abrir o leque”, posto que a “elitização dos acrílicos” afastará a esmagadora maioria.

MTB: Gostaria que você deixasse uma mensagem pra molecada que vive num mundo cada vez mais eletrônico, e não sabem como é legal jogar botão
Léo: Se me permitem, acho que a mensagem tem que ser destinada aos que já jogam:
“Amigos do Futebol Bretão de Mesa, o jogo de botão é diversão, é terapia, é um jeito de sorrir e fazer amigos. Ninguém vai ser melhor na vida por ganhar um jogo e, infeliz dele, se colocar as frustrações do dia a dia sobre nossa mesa verde.
Quando os botonistas entenderem que jogando botão o importante é a diversão, tudo será melhor. Ganhar é bom, adoro ganhar, mas me divertir vale muito mais a pena. Minhas vitórias ou derrotas para o Vasco nunca pagaram minhas faturas de cartão de crédito, mas a diversão que elas me proporcionaram, com certeza me ajudaram a correr atrás do meu no dia seguinte, entenderam?
A molecada só será atraída pro nosso jogo se o ambiente for sadio. Senão, será muito melhor enfrentar o computador que não desdenha dele quando ele perde, sacaram?
Vamos manter vivo nosso esporte, só depende de nós...
De problemas na vida, já temos aqueles dos quais não podemos fugir, pois da sua resolução depende nossa sobrevivência”.

MTB: Você ainda tem seus botões, aqueles da época de criança? Ou lembranças deles?
Léo: Os primeiros, mais antigos, não tenho mais. Dei para um garoto que morava na minha rua nos primeiros anos de BFA. Mas tenho quase todos os times da I Taça Brasil, realizada em 1990. Mas da lembrança, eles nunca saíram, especialmente um Náutico PE que me foi dado por um conhecido chamado Dinho, feito com tampas de relógio e fita colorida. Mirandinha e Ademir Lobo no comando de ataque, era uma timaço.

DE PRIMEIRA

MTB: Quem é o melhor time, hoje? No Brasil?
Léo: Santos Futebol Clube.

MTB: E no mundo?
Léo: Manchester United ING.

MTB: Quem é o melhor jogador do mundo na atualidade?
Léo: Messi, do Barcelona ESP.

MTB: Quem ganha a Copa do Mundo?
Léo: Acho que não sairá das equipes de sempre, acredito no Brasil.

MTB: Quem ganha a Copa do Brasil?
Léo: Grêmio RS.

MTB: Quem ganha a Libertadores?
Léo: Espero que o São Paulo, mas o Estudiantes continua forte. Só não pode dar Curíntia...

MTB: Gostaria de saber também sua profissão, e preciso de uma foto sua com o manto sagrado pra ilustrar a matéria
Léo: Sou Engenheiro Civil e tenho uma Construtora chamada Alves & Barcelos.
Obrigado pela oportunidade e pelo espaço a mim destinado.
E vamos jogar botão...

Entrevista com um dos fundadores da BFA extraída do blog http://meutimedebotao.blogspot.com

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